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Em busca da perfeição, a filosofia de Henry Royce

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Rolls Royce Phantom III Henry Royce nasceu pobre e acabou famoso pelos carros que criou com Charles Rolls, mas a sua empresa de materiais eléctricos permaneceu activa até à sua morte, em 1933, embora tenha surgido em 1903 uma forte concorrência para, vinda principalmente da Alemanha e dos EUA. Henry Royce e Charles Rolls criaram aquela que é a marca de automóveis mais luxuosa do mundo, a Rolls Royce. E ficou famosa pela grelha frontal a fazer lembrar a fachada do Parténon com os pilares e o frontão. Aqui ficam um conjunto de frases célebres atribuídas a Royce: Royce recusou veementemente os pedidos dos seus subordinados para tornar os veículos mais baratos de forma a enfrentar a concorrência, proferindo a famosa frase: "The quality will remain long after the price is forgotten" (A qualidade permanece muito tempo depois do preço ter sido esquecido.) Royce era um homem do século XIX que associava qualidade com controlo. Não tinha qualquer problema em deitar fora 10 peças ...

A arte segundo Schopenhauer

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Cabeça colossal olmeca em pedra Não só a filosofia mas também as belas artes propõem–se, no fundo, a solucionar o problema da existência. Pois em cada espírito que uma vez se entregou à pura contemplação objetiva do mundo, ativou–se, mesmo se inconsciente e oculto, um esforço para compreender a verdadeira essência das coisas, da vida, da existência. Já que somente a essência possui interesse para o intelecto enquanto tal, isto é, para o puro sujeito do conhecer liberto dos fins da vontade; assim como somente os fins da vontade possuem interesse para o sujeito que conhece enquanto mero indivíduo. — Por isso, o resultado de cada concepção puramente objetiva, portanto artística das coisas, é uma expressão a mais da essência da vida e da existência, uma resposta a mais à questão: "que é a vida?" — A essa questão responde acertadamente, à sua maneira, cada obra de arte genuína e bem elaborada. Todavia, as artes falam de modo completo apenas a língua ingênua e infantil da intuição...

Poesia e Construção

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Parténon, Atenas A arquitectura e a engenharia tornam-se arte e poesia quando se ultrapassa o pressuposto da função sem, no entanto, perder a sua finalidade inicial. Trata-se da sublimação, da ilusão e da transfiguração da função. O arquitecto romano Vitrúvio define no seu tratado três elementos fundamentais na arquitectura: - a firmitas (que se refere à estabilidade, ao carácter construtivo da arquitectura); - a utilitas (que originalmente se refere à comodidade e ao longo da história foi associada à função e ao utilitarismo); - a venustas (associada à beleza e à apreciação estética). Uma construção passa a ser chamada de arquitectura quando, além de ser firme e bem estruturada ( firmitas ), possuir uma função ( utilitas ) e for, principalmente, bela ( venustas ). Nos tempos modernos podem-se acrescentar alguns pontos: - técnica ; - durabilidade ; - sustentabilidade . Escada helicoidal de estádio de futebol em Itália, Pierluigi Nervi   Tecto de pavilhão desportivo, Pierlu...

Beleza, ciência, abstracção e a importância do acaso

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A beleza é um tema limitado mas fascinante. Várias filósofos já abordaram o tema do conceito de beleza, e este vai variando ou evoluindo de geração em geração. Mas por mais conceitos que existam a beleza só existe nos olhos de quem a vê. Terá a matemática beleza? Por certo que sim como linguagem abstracta. A matemática não procura ser plasticamente bela mas sintetizar de forma racional conceitos concretos, através de fórmulas e números. Uma fórmula que exprima de forma sucinta e eficaz um fenómeno ou conceito pode ter beleza. Proporção áurea Ou seja a matemática procura quantificar um fenómeno ou conceito. Aí reside a sua beleza, na essência e na verdade das coisas que está sempre presente no nosso dia a dia, e que nem damos por isso. Na Grécia antiga foi usada a proporção matemática Pi para a concepção do Parténon. Os arquitectos deste imponente edifício grego foram Calícrates e Ictinos enquanto as esculturas dos frontões ficaram a cargo de Fídias. A proporção áurea (número de...

A idealização do universo em formas platónicas

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Mão com Esfera Reflectora, M.C. Escher O retomar das formas clássicas platónicas durante o Renascimento foi um regresso ao mundo clássico e à Grécia. Inspirado pela matemática e geometria euclidiana. O círculo, o quadrado e o triângulo inspiraram muitos artistas durante este período fascinados pela ideia de estruturação do universo com base nestas formas. Alguns artistas e astrónomos desse período assim o acreditavam. Leonardo da Vinci, Juan Kepler entre outros criaram modelos próprios. Mais tarde Le Corbusier retomou o tema. Ainda hoje muitos artistas continuam a seguir esta corrente. Isso é visível no trabalho de inúmeros arquitectos. Será o mundo todo organizado por meio de formas geométricas euclidianas? Homem Vitruviano, Leonardo da Vinci Modelo planetário de Kepler Le Modulor, Le Corbusier No entanto o universo é mais complexo e possui subtilezas e imprecisões que sugerem outras formas para além da geometria euclidiana. Tal como Fernando Lanhas disse " um seixo é m...

O princípio da incerteza de Heisenberg

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Relativity, M.C. Escher Durante a concepção de qualquer obra acontece inúmeras vezes este princípio, e a única certeza é o produto final. As variantes são infinitas, escolhe-se um caminho, muda-se de caminho e muitas vezes regressa-se ao anterior. Opta-se por outros, compara-se até se acharem certezas, como um jogo onde se aceitam os acasos e o indeterminismo como o princípio da incerteza de Heisenberg. O produto da incerteza associada ao valor de uma coordenada x e a incerteza associada ao seu correspondente momento linear pi não pode ser inferior, em grandeza, à constante de Planck normalizada. Heisenberg Exprime-se pela seguinte fórmula:

A natureza como fonte de inspiração

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Muitos artistas, designers ou arquitectos procuram inspiração na natureza através de linguagens, estruturas, geometrias. A biomimética é o campo da ciência que faz essa relação para o desenvolvimento de novas tecnologias ou de soluções no design. Alguns paralelismos fáceis de encontrar entre a natureza e a arquitectura ou o design automóvel. Modelo automóvel da Mercedes Benz Modelo automóvel da Nissan Modelo automóvel da Citroën Edifício de Santiago Calatrava na Suécia

"Contra a interpretação", livro de Susan Sontag

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La trahison des images, René Magritte Susan Sontag publicou um livro interessante. "Contra a interpretação" é uma dissertação sobre a interpretação que se faz na arte. A arte não tem de ser feia para ser inteligente. Não tem de ter um significado único. Não tem de se basear no racional. A arte que só existe pela sua explicação racional esquecendo o lado sensorial não é arte. Alguma arte contemporânea funciona como se o observador precisasse de ler um manual antes de observar o objecto artístico. Mas o que surge primeiro? A palavra ou o objecto? A arte existe antes da palavra, antes da mensagem. Tentar resumir o processo criativo ou o objecto artístico a uma mera interpretação justificativa é redutor. Content is a glimpse of something, an encounter like a flash. It’s very tiny - very tiny, content. Willem De Kooning It is only shallow people who do not judge by appearances. The mystery of the world is the visible, not the invisible. Oscar Wilde Alguns trechos: The earli...

Sobre inteligência

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Em linguagem comum bom senso e intuição são entendidos em filosofia como a primeira inteligência. Só a partir dela é que surgem as ideias potenciadoras de dinamismo. A inteligência guiada, ou seja, como aperfeiçoamento, aprofundamento, comprovação e materialização da primeira. Isto corresponde à ciência e à tecnologia. Por vezes, dá-se o caso em que quanto mais armazenamento de informação se adquire menos inteligência se desenvolve. Quanto mais instrução se ganha, perde-se mais intuição. Cria-se a ilusão de se possuir conhecimentos como sinónimo de inteligência, no entanto é o oposto pois, para além de não estimular a inteligência, perde-se dinamismo e poder de abstracção. A sabedoria e a inteligência emotiva não exige muitos conhecimentos tal como ensina a religião budista. A inteligência guiada segue a primeira, trá-la ao mundo real. As tecnologias contemporâneas têm pouco de primeira inteligência, limitam-se a aperfeiçoar a inteligência guiada daquilo que já existe. imagem : ...