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Geometria sagrada e a aplicação nas artes e na natureza

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Espiral de Ouro A geometria sagrada continua a ser um tema frequentemente revisitado e que sempre fascinou matemáticos, cientistas, pintores, escultores mas também arquitectos. A relação entre a proporção áurea e as artes terá nascido a partir de um livro escrito pelo monge italiano Luca Pacioli chamado "Divina proportione" no século XVI (mais tarde também chamado de "De Divina Proportione" ). Trata-se de um livro de matemática com ilustrações feitas por Leonardo da Vinci impresso pela primeira vez em 1509. "A proporção áurea, também designada por número de ouro, número áureo, secção áurea, proporção de ouro é uma constante real algébrica irracional denotada pela letra grega (Phi), em homenagem ao escultor grego Fídias, que a teria utilizado para conceber o Parténon, e com o valor arredondado a três casas decimais de 1,618. Também é chamada de secção áurea (do latim sectio aurea), razão áurea, razão de ouro, média e extrema razão (Euclides), divina proporção,...

Eduardo Chillida e a poesia do espaço

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Elogio do horizonte, Eduardo Chillida Eduardo Chillida (1924—2002) foi um escultor que, nas suas obras, dava grande importância ao valor do espaço em detrimento da matéria (ausência de matéria) e ao simbolismo expressionista (forças de tensão provocadas pelas torções). Usando barras e fazendo vazios nos planos procura entrar no campo da arquitectura e interpretar o espírito do local ( zeit geist ). A integração no local é sempre um aspecto importante no percurso da sua obra. Os locais escolhidos são agrestes e amplos procurando dar mais destaque ao carácter expressionista das suas esculturas. O espaço é sempre aquilo que está entre a matéria. No caso da escultura "Elogio do horizonte" a intervenção localiza-se num promontório com vista para o mar. Trata-se de uma enorme estrutura de betão armado feita a partir de um sólido primário (cilindro) ao qual são subtraídos vários volumes. "Pente do vento" são estruturas metálicas envelhecidas em forma de garras encrustad...

Kinetic Design, design e movimento

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Torre giratória no Dubai Design cinético ou kinetic design trata de conceber objectos que se movimentam e transformam. O conceito também já é aplicado na arquitectura denominada arquitectura interactiva ou dinâmica, como por exemplo esta torre giratória no Dubai projectada pelo gabinete de David Fisher: Depois da 3ª dimensão veio a 4ª dimensão (tempo), mas surge, agora uma outra dimensão - o movimento ou metamorfose. Metamorfose essa que pode ser dada pela própria natureza (através de vento, por exemplo) ou por meios mecânicos. Exemplo aplicado na arquitectura com fachada cinética feita com chapas metálicas que se movem ao sabor do vento criando uma visão dinâmica da fachada por Ned Kahn (Wind Arbor, Marina Bay Sands): Exemplo de escultura cinética por Bob Potts: via Gfycat

Escultura feita de pontos

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Escultura feita de pontos colocados em diferentes coordenadas apenas perceptível de um determinado ângulo. 🔥A perfect Anamorphic sculpture🔥 pic.twitter.com/3boqiRK7iX — ᥅ꪮ᥇ ᦔꫀ ᠻøꪻøᧁ᥅ꪖꪖᠻ (@rjmponsen) September 7, 2020

Surrealismo, um olhar alternativo à realidade

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The Hours, Salvador Dali O Surrealismo veio trazer o mundo dos sonhos e do inconsciente para a arte, como contraposição ao realismo. A memória representa um papel importante para este tipo de movimento. Os significados visíveis e ocultos tornam-se mais expressivos nesta linguagem e servem de ponto de partida. Satirizam e ironizam a realidade. A realidade é a realidade. Só isso. Nada mais. No final o que fica é o lado inesperado e irónico das obras produzidas durante este movimento. A mistura do imaginário numa forma de representação realista através de jogos de sombras e perspectivas originou obras surpreendentes.  É possível ver este movimento na pintura, escultura e arquitectura.   Walking Man, Alberto Giacometti Binoculars Building, Frank Gehry

Beleza, ciência, abstracção e a importância do acaso

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A beleza é um tema limitado mas fascinante. Várias filósofos já abordaram o tema do conceito de beleza, e este vai variando ou evoluindo de geração em geração. Mas por mais conceitos que existam a beleza só existe nos olhos de quem a vê. Terá a matemática beleza? Por certo que sim como linguagem abstracta. A matemática não procura ser plasticamente bela mas sintetizar de forma racional conceitos concretos, através de fórmulas e números. Uma fórmula que exprima de forma sucinta e eficaz um fenómeno ou conceito pode ter beleza. Proporção áurea Ou seja a matemática procura quantificar um fenómeno ou conceito. Aí reside a sua beleza, na essência e na verdade das coisas que está sempre presente no nosso dia a dia, e que nem damos por isso. Na Grécia antiga foi usada a proporção matemática Pi para a concepção do Parténon. Os arquitectos deste imponente edifício grego foram Calícrates e Ictinos enquanto as esculturas dos frontões ficaram a cargo de Fídias. A proporção áurea (número de...

A idealização do universo em formas platónicas

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Mão com Esfera Reflectora, M.C. Escher O retomar das formas clássicas platónicas durante o Renascimento foi um regresso ao mundo clássico e à Grécia. Inspirado pela matemática e geometria euclidiana. O círculo, o quadrado e o triângulo inspiraram muitos artistas durante este período fascinados pela ideia de estruturação do universo com base nestas formas. Alguns artistas e astrónomos desse período assim o acreditavam. Leonardo da Vinci, Juan Kepler entre outros criaram modelos próprios. Mais tarde Le Corbusier retomou o tema. Ainda hoje muitos artistas continuam a seguir esta corrente. Isso é visível no trabalho de inúmeros arquitectos. Será o mundo todo organizado por meio de formas geométricas euclidianas? Homem Vitruviano, Leonardo da Vinci Modelo planetário de Kepler Le Modulor, Le Corbusier No entanto o universo é mais complexo e possui subtilezas e imprecisões que sugerem outras formas para além da geometria euclidiana. Tal como Fernando Lanhas disse " um seixo é m...

Estruturalismo e racionalismo vs construtivismo e poética

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Villa Savoye, Le Corbusier Le Corbusier viveu um período da sua vida como arquitecto em que definiu a casa como uma máquina. Inspirado no modernismo, nas linhas rectas e influenciado pelo progresso das máquinas projectou edifícios "eficazes" como as máquinas. A Villa Savoye é um exemplo disso mesmo. No entanto algumas das suas obras mais poéticas são aquelas em que procura inspiração noutras áreas, como a natureza, afastando-se do tema da máquina. E porquê? Porque a máquina existe para satisfazer uma função. Quando procura edifícios "poéticos", com traços orgânicos e destinos para além da função consegue obter a transcendência. Interior da capela de Notre Dame, Le Corbusier A Capela de Notre Dam, segundo Le Corbusier, inspirou-se na forma de um caranguejo quando passeava na praia. A sua forma remete mais para a poética. Foi o primeiro projeto de um edifício religioso de Le Corbusier. Este edifício de paredes curvas rompe com a tendência racionalista e rectilíne...

O princípio da incerteza de Heisenberg

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Relativity, M.C. Escher Durante a concepção de qualquer obra acontece inúmeras vezes este princípio, e a única certeza é o produto final. As variantes são infinitas, escolhe-se um caminho, muda-se de caminho e muitas vezes regressa-se ao anterior. Opta-se por outros, compara-se até se acharem certezas, como um jogo onde se aceitam os acasos e o indeterminismo como o princípio da incerteza de Heisenberg. O produto da incerteza associada ao valor de uma coordenada x e a incerteza associada ao seu correspondente momento linear pi não pode ser inferior, em grandeza, à constante de Planck normalizada. Heisenberg Exprime-se pela seguinte fórmula:

A natureza como fonte de inspiração

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Muitos artistas, designers ou arquitectos procuram inspiração na natureza através de linguagens, estruturas, geometrias. A biomimética é o campo da ciência que faz essa relação para o desenvolvimento de novas tecnologias ou de soluções no design. Alguns paralelismos fáceis de encontrar entre a natureza e a arquitectura ou o design automóvel. Modelo automóvel da Mercedes Benz Modelo automóvel da Nissan Modelo automóvel da Citroën Edifício de Santiago Calatrava na Suécia

"Contra a interpretação", livro de Susan Sontag

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La trahison des images, René Magritte Susan Sontag publicou um livro interessante. "Contra a interpretação" é uma dissertação sobre a interpretação que se faz na arte. A arte não tem de ser feia para ser inteligente. Não tem de ter um significado único. Não tem de se basear no racional. A arte que só existe pela sua explicação racional esquecendo o lado sensorial não é arte. Alguma arte contemporânea funciona como se o observador precisasse de ler um manual antes de observar o objecto artístico. Mas o que surge primeiro? A palavra ou o objecto? A arte existe antes da palavra, antes da mensagem. Tentar resumir o processo criativo ou o objecto artístico a uma mera interpretação justificativa é redutor. Content is a glimpse of something, an encounter like a flash. It’s very tiny - very tiny, content. Willem De Kooning It is only shallow people who do not judge by appearances. The mystery of the world is the visible, not the invisible. Oscar Wilde Alguns trechos: The earli...

Uma escultura desenhada pela sombra

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Uma escultura desenhada pela sombra de volumes de madeira projectada numa parede mediante um foco de luz. Artista desconhecido.

A escultura Obolin de Steven Holl

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O arquitecto Steven Holl projectou uma escultura visitável denominada Obolin no Parque de Esculturas e Arquitetura Art Omi, um centro cultural que procura experiências novas através do cruzamento entre a arquitetura e outras artes. Trata-se de um pequeno volume em forma de trapézio ao qual são feitas várias subtracções com esferas e cilindros. O material usado foi a madeira laminada local. Um fatia de queijo suíço A aparência final assemelha-se a uma fatia de queijo suíco com os seus vazios. O fabrico dos paineis foi elaborado por um braço robótico através de desenhos técnicos enviados para o computador. A filha mais nova de Steven Holl deu à obra o nome Obolin, e assim ficou. Steven Holl também procurou orientar a escultura em direção aos raios solares em determinadas alturas do ano. A entrada é feita por um dos lados do volume e uma banqueta convida as pessoas a sentarem-se e apreciarem a paisagem pelos diversos orifícios no volume. imagens: © steven holl architects